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22 de ago. de 2010

Nascido Depois da Meia-Noite

Nascido Depois da Meia-Noite – Quaminical, 18 de agosto de 2010

Se entendemos que esse ditado significa que Deus não ouve a nossa oração por avivamento, se for feita durante o dia, evidentemente não é verdadeiro. Se entendemos que significa que a oração que fazemos quando estamos cansados e exaustos tem maior poder do que a que fazemos quando estamos descansados e com vigor renovado, outra vez não é verdadeiro. Certamente Deus teria de ser muito “sádico” para exigir que transformemos a nossa oração em penitência, ou para gostar de ver-nos impondo-nos punição a nós mesmos pela intercessão.
Contudo, há considerável verdade na idéia de que os avivamentos nascem depois da meia-noite, pois os avivamentos (ou quaisquer outros dons e graças espirituais) só vêm para os que os desejam com angustiosa intensidade.
Pode-se dizer sem reserva que todo homem é tão santo e tão cheio de Espírito como o deseja. Ele não pode estar tão cheio como gostaria, mas com toda a certeza está tão cheio como deseja estar.

"Buscar-me-eis, e me achareis. quando me buscardes de todo o vosso coração" (Jr 29:13).

Nosso Senhor colocou isto fora de discussão quando disse: "Bem aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos". Fome e sede são sensações físicas que, em seus estágios agudos, podem tornar-se verdadeira dor. A experiência de incontáveis pessoas que procuravam a Deus é que, quando os seus desejos se tornaram dolorosos, foram satisfeitos repentina e maravilhosamente.
O problema não consiste em persuadir Deus a que nos encha do Espírito, mas em desejar a Deus o suficiente para permitir-Lhe que o faça. O cristão comum é tão frio e se mostra tão contente com a sua pobre condição, que não há nele nenhum vácuo de desejo no qual o bendito Espírito possa derramar-se em satisfatória plenitude.
Ocasionalmente aparece no cenário religioso alguém cujos desejos espirituais insatisfeitos vão ganhando tanto volume e importância em sua vida, que expulsam todos os outros interesses. Tal pessoa se recusa a contentar-se com as orações seguras e convencionais dos irmãos que "dirigem em oração" semana após semana e ano após ano nas assembléias locais. Suas aspirações a levam longe e muitas vezes o tornam incômodo. Seus irmãos em Cristo, perplexos, sacodem a cabeça e olham uns para os outros com ar de entendidos, mas, como o cego que clamou por sua vista e foi repreendido pelos discípulos, "ele, porém, cada vez gritava mais".
E se não tiver ainda satisfeito as condições, ou se houver alguma coisa impedindo a resposta à sua oração, poderá prosseguir orando até as horas tardias da noite. Não a hora da noite, mas o estado do seu coração é que decide o tempo da sua visitação. Para este irmão bem pode acontecer que o avivamento venha depois da meia-noite.
Todavia, é muito importante que nós compreendamos que as longas vigílias em oração, ou mesmo o forte clamor e as lágrimas, não são em si mesmos atos que dão mérito maior a ninguem. Toda bênção flui da bondade de Deus como de uma fonte. Os próprios anjos subsistem graças à pura bondade de Deus. Nenhuma criatura pode "ganhar" nada, no sentido comum da palavra (de trabalhar para ganhar ou de receber por merecimento ou de adquirir pagando). Todas as coisas pertencem à bondade soberana de Deus e por ela nos são dadas.
“A bondade de Deus é a oração mais elevada, e desce às partes mais fundas da nossa neces¬sidade".
Apesar de toda a boa vontade de Deus para conosco, Ele não pode atender aos desejos do nosso coração enquanto os nossos desejos não forem reduzidos a um só.
Quando tivermos dominado as nossas ambições; quando tivermos esmagado o leão e a víbora da carne, e calcado o dragão do amor próprio sob os nossos pés, e nos consi¬derarmos verdadeiramente mortos para o pecado, então, e só então, Deus poderá elevar-nos à novidade de vida e encher-nos do Seu bendito Espírito Santo.
Ê fácil aprender a doutrina do avivamento pessoal e da vida vitoriosa; é tomar a nossa cruz e afadigar-nos na escalada do sombrio e áspero morro da renúncia. Aqui muitos são chamados, poucos escolhidos. Para cada um que de fato passa para a Terra Prometida, muitos ficam por um tempo, olhando ansiosamente através do rio e depois retornam tristemente à segurança relativa das vastidões arenosas da vida antiga.
Não, não há mérito nas orações feitas a desoras, mas requer disposição mental séria e coração determinado deixar o comum pelo incomum no modo de orar. A maioria dos cristãos nunca o faz. E é mais que possível que as poucas almas que se empenham na busca da experiência incomum cheguem lá depois da meia-noite.
Deus Fala com o Homem Que Mostra Interesse
A Bíblia foi escrita em lágrimas e aos que choram revelará os seus melhores tesouros. Deus nada tem a dizer ao indivíduo futil e egoista.Foi a Moisés, um homem atemorizado, que Deus falou no mon¬te, e esse mesmo homem mais tarde salvou a nação quando se prostrou diante de Deus oferecendo-se para que seu nome fosse apagado do livro divino a favor de Israel. O longo período de jejum e oração de Daniel fez com que Gabriel descesse dos céus e lhe contasse o segredo dos séculos! Quando o amado João chorou muito por não haver ninguém digno de abrir o livro de sete selos, um dos anciãos confortou-o com as alegres novas de que o Leão da tribo de Judá tinha vencido. Os salmistas com freqüência escreviam chorando, os profetas mal conseguiam ocultar sua tristeza, e o apóstolo Paulo em sua epís¬tola alegre aos filipenses, derramou lágrimas ao pensar nos muitos inimigos da cruz de Cristo cujo fim seria a
destruição eterna. Os líderes cristãos que abalaram o mundo foram todos homens de dores, cujo testemunho à humanidade brotou de corações pesados. Não existe poder nas lágrimas em si, mas as lágrimas e o poder sempre estiveram juntos na Igreja dos Primogênitos.Tudo que é feito sem envolver o coração é feito nas trevas, não importa quão bíblico pareça ser. Pela lei da justa compensação. o coração do que brinca com assuntos religiosos será destruído pelo brilho excessivo da verdade em que tocar. Os olhos sem lágrimas serão finalmente cegados pela luz que contemplam. Toda a família cristã está necessitando desesperadamente de uma restauração da oração, da humildade e das lágrimas. Possa Deus enviá-las muito em breve...



Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei:
que eu possa morar na Casa do Senhor todos os
dias da minha vida, para contemplar a beleza
do Senhor e meditar no seu templo.
(Salmo 27:4)

Se você é um guia turístico e sabe que os turistas anseiam por desfrutar da beleza — que estão até mesmo dispostos a arriscar suas vidas para que a vejam — e assim se vê diante de um pico de tirar o fôlego, então o seu dever é mostrá-lo a eles e insistir que desfrutem da vista. Bem, a raça humana de fato anseia pela experiência da admiração.
E não há realidade mais arrebatadora do que Jesus Cristo. Estar com Ele não significa estar livre de perigo, mas a sua beleza é extraordinária.

Deus colocou a eternidade na mente do homem e encheu o coração humano de anelos. Mas nós não sabemos pelo que anelamos até que nós vejamos o quão formidável Deus é. Esta é a causa da inquietação universal. Daí a famosa oração de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Ti”.

O mundo tem um anseio insaciável. Tentamos satisfazer este anseio por meio de férias com paisagens pitorescas, habilidades criativas, produções cinematográficas extraordinárias, aventuras sexuais, esportes espetaculares, drogas alucinógenas, devoções rigorosas, excelência administrativa, dentre muitas outras coisas. Mas o anseio permanece. O que isto significa? C. S. Lewis responde:
Se encontro em mim um desejo que nenhuma experiência deste mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é a de que fui criado para um outro mundo.
A tragédia do mundo é que o eco é confundido com o grito que o iniciou. Quando estamos de costas para a beleza fascinante de Deus, fazemos sombra na terra e nos apaixonamos por ela própria. Mas isto não nos satisfaz verdadeiramente.

Os livros ou a música onde pensamos estar a beleza nos trairão se confiarmos neles... Pois eles não são a coisa em si; eles são somente o aroma de uma flor que não encontramos, o eco de um tom que ainda não ouvimos, notícias de um país que nunca visitamos.

Escrevi este livro porque a Beleza encantadora nos visitou. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (João 1.14). Como, então, eu poderia deixar de clamar, Olhe! Creia! Seja satisfeito! Contemplar tal beleza pode custar a sua vida. Mas valerá a pena, pois sabemos, baseados na autoridade da Palavra de Deus, que “a tua graça é melhor do que a vida” (Salmo 63.3). Delícias infinitas são um dever arriscado. Mas você não se arrependerá da busca. Eu a chamo de prazer cristão.

Quer poder para viver a vida cristã? Faça hoje um voto com Deus.

Algumas pessoas rejeitam a idéia de fazer votos, mas na Bíblia você encontrará muitos grandes homens de Deus que foram dirigidos por alianças, promessas, votos e compromissos. O salmista não era avesso a fazer votos.
"Os votos que fiz, eu os manterei, ó Deus", disse ele.
"Render-te-ei ações de graça" (Sl 56.12).
Meu conselho nessa questão é que se você está realmente preocupado com seu avanço espiritual - a obtenção de novo poder, nova vida, nova alegria e novo reavivamento pessoal dentro de seu coração -, será bom fazer certos votos e empenhar-se por cumpri-los.
Eles irão ajudar a harmonizar seu coração com os vastos poderes que fluem do trono onde Cristo está assentado, à destra de Deus.
O homem carnal rejeita a disciplina de tais compromissos. Ele diz: "Quero ser livre. Não quero ter qualquer voto sobre mim. Não creio nisso. Isso é legalismo". Bem, deixe-me apresentar o quadro de dois homens.
Um deles não fez voto algum. Ele não aceita qualquer responsabilidade desse tipo. Ele quer ser livre. E ele é livre, em certa medida - assim como um vagabundo é livre. O vagabundo é livre para sentar-se num banco de jardim de dia, dormir sobre um jornal à noite, ser posto para fora da cidade na manhã de quinta-feira e voltar e subir pelas escadas rangentes de alguma pensão na quinta à noite. Esse homem é livre, mas também é inútil. Ele apenas ocupa um lugar no mundo, cujo ar respira.
Examinemos agora outro homem - talvez um presidente, ou primeiro-ministro ou qualquer grande homem que carrega sobre si o peso do governo. Homens assim não são livres. Porém, com o sacrifício de sua liberdade demonstram poder. Caso insistam em ser livres, poderão sê-lo, mas apenas como o vagabundo.
Escolheram, porém, estar amarrados.
Há muitos vagabundos religiosos no mundo que não querem estar amarrados a coisa alguma. Eles transformaram a graça de Deus em libertinagem pessoal.

As grandes almas, entretanto, são aquelas que se aproximam reverentemente de Deus compreendendo que em sua carne não habita bem algum. E sabem que, sem a capacitação dada por Deus, quaisquer votos feitos seriam quebrados antes de o sol se pôr. Não obstante, visto que crêem em Deus, com reverência assumem certos votos sagrados.
Esse é o caminho para o poder espiritual.

Quaminical, 18 de agosto de 2010

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