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1 de nov. de 2010

Atributos de Deus – Parte 3 - A IRA DE DEUS – Quaminical – 27 de outubro de 2010.

Atributos de Deus – Parte 3 - A IRA DE DEUS – Quaminical – 27 de outubro de 2010.
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É triste ver tantos cristãos professos que parecem considerar a ira de Deus como uma coisa pela qual eles precisam pedir des¬culpas, ou, pelo menos, parece que gostariam que não existisse tal coisa. Conquanto alguns não fossem longe o bastante para admitir abertamente que a consideram uma mancha no caráter divino, contudo, estão longe de vê-la com bons olhos, não gostam de pensar nisso e dificilmente a ouvem mencionada sem que surja em seus corações um ressentimento contra essa idéia. Sim, muitos há que fogem de visualizar a ira de Deus, como se fossem intimados a ver alguma mancha no caráter divino, ou al¬gum defeito no governo divino. Mas, o que dizem as Escrituras? Quando a procuramos nelas, vemos que Deus não fez tentativa alguma para ocultar a realidade da Sua ira. Ele não se envergo¬nha de dar a conhecer que a vingança e a cólera Lhe pertencem. Eis o Seu desafio: "Vede agora que eu, eu o sou, e mais nenhum Deus comigo; eu mato, e eu faço viver; eu firo, e eu saro; e ninguém há que escape da minha mão. Porque levantarei a minha mão aos céus, e direi: Eu vivo para sempre. Se eu afiar a minha espada reluzente, e travar do juízo a minha mão, farei tornar a vingança sobre os meus adversários, e recompensarei aos meus aborrecedores" (Deuteronômio 32:39-41). Um estudo na concor-dância mostrará que há mais referências nas Escrituras à indigna¬ção, à cólera e à ira de Deus, do que ao Seu amor e ternura. Porque Deus é santo, Ele odeia todo pecado; e porque Ele odeia todo pecado, a Sua ira inflama-se contra o pecador Salmo 7:11.
Pois bem, a ira de Deus é uma perfeição divina tanto como a Sua fidelidade, o Seu poder ou a Sua misericórdia. Só pode ser assim, pois não há mácula alguma, nem o mais ligeiro defeito no caráter de Deus, porém, haveria, se nEle não houvesse "ira"! A indiferença para com o pecado é uma nódoa moral, e aquele que não o odeia é um leproso moral. Como poderia Aquele que é a soma de todas as excelências olhar com igual satisfação para a virtude e o vício, para a sabedoria e a estultícia? Como poderia Aquele que é infinitamente santo ficar indiferente ao pecado e negar-Se a manifestar a Sua "severidade" (Romanos 11:22) para com ele? Como poderia Aquele que só tem prazer no que é puro e nobre, deixar de detestar e de odiar o que é impuro e vil? A própria natureza de Deus faz do inferno uma necessidade tão real, um requisito tão imperativo e eterno como o céu o é. Não somente não há imperfeição nenhuma em Deus, mas também não há nEle perfeição que seja menos perfeita do que outra.
A ira de Deus é a Sua eterna ojeriza por toda injustiça. É o desprazer e a indignação da divina eqüidade contra o mal. É a santidade de Deus posta em ação contra o pecado. É a causa motora daquela sentença justa que Ele lavra sobre os malfeitores. Deus está irado contra o pecado porque este é rebelião contra a Sua autoridade, um ultraje à Sua soberania inviolável. Os in¬surgentes contra o governo de Deus saberão um dia que Deus é o Senhor.
"Porque do céu se manifesta a ira de Deus..." (Roma¬nos 1:18). "Manifestou-se quando foi pronunciada a primeira sen-tença de morte, quando a terra foi amaldiçoada e o homem foi expulso do paraíso terrestre; e depois, mediante castigos exem¬plares como o dilúvio e a destruição das cidades da planície com fogo do céu, mas, especialmente pelo reinado da morte no mundo todo. Foi proclamada na maldição da lei para cada transgressão, e foi imposta na instituição do sacrifício. No capítulo 8 de Roma¬nos, o apóstolo Paulo chama a atenção dos crentes para o fato de que a criação inteira ficou sujeita à vaidade, e geme e tem dores de parto. A mesma criação que declara que existe um Deus, e publica a Sua glória, também proclama que Ele é o inimigo do pecado e o vingador dos crimes dos homens. Acima de tudo, po¬rém, do céu se manifestou a ira de Deus quando o Filho de Deus veio a este mundo para revelar o caráter divino, e quando essa ira foi demonstrada nos Seus sofrimentos é morte, de maneira mais terrível do que por todas as provas que Deus antes dera da Sua aversão pelo pecado.
Mais: que a ira de Deus é uma perfeição divina está demons¬trado claramente pelo que lemos no Salmo 95:11: "Por isso jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso". Duas são as ocasiões em que Deus "jura": quando faz promessas (Gênesis 22:16), e quando faz ameaças (Deuteronômio 1:34). Na primeira, jura com misericórdia dos Seus filhos; na segunda, jura para aterrorizar os ímpios. Um juramento é feito para confirmação: Hebreus 6:16. Em Gênesis 22:16 disse Deus: "Por mim mesmo, jurei", No Salmo 89:35 Ele declara; "Uma vez jurei por minha santidade". Enquanto que no Salmo 95:11 Ele afirma: "Jurei na minha ira". Assim é que o grande Jeová pessoalmente recorre à Sua "ira" como a uma perfeição igual à Sua "santidade": tanto jura por uma como pela outra! Ainda: como em Cristo "... ha¬bita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Colossenses 2:9), e como todas as perfeições divinas são notavelmente mani¬festadas por Ele (João 1:18), por isso lemos sobre "... a ira do Cordeiro" (Apocalipse 6:16). A ira de Deus é uma perfeição do caráter divino sobre a qual precisamos meditar com freqüência. Primeiro, para que os nossos corações fiquem devidamente impressionados com a ojeriza de Deus pelo pecado, Estamos sempre inclinados a uma consi¬deração superficial do pecado, a encobrir a sua fealdade, a des¬culpá-lo com excusas várias.
Mas, quanto mais estudarmos e pon¬derarmos a aversão de Deus pelo pecado e a maneira terrível como se vinga dele, mais probabilidade teremos de compreender quão horrível é o pecado. Segundo, para produzir em nossas almas um verdadeiro temor de Deus: "... retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade ("san¬to temor"); porque o nosso Deus é um fogo consumidor" (Hebreus 12:28-29). Não poderemos servi-1O "agradavelmente" sem a devida "reverência" ante a Sua tremenda Majestade e sem o devido "santo temor" de Sua justa ira, e promoveremos melhor estas coisas trazendo freqüentemente à memória o fato de que "o nosso Deus é um fogo consumidor". Terceiro, para induzir nossas almas a fervoroso louvor a Deus por ter-nos livrado "... da ira futura" (1 Tessalonicenses 1:10).
A nossa prontidão ou a nossa relutância em meditar na ira de Deus é um teste seguro de até que ponto os nossos corações reagem à Sua influência. Se não nos regozijamos verdadeiramente em Deus, pelo que Ele é em Si mesmo, e por todas as perfeições que nEle há eternamente, como poderá permanecer em nós o amor de Deus? Cada um de nós precisa vigiar o mais possível em oração contra o perigo de criar em nossa mente uma imagem de Deus segundo o modelo das nossas inclinações pecaminosas. Desde há muito o Senhor lamentou: “... pensavas que (eu) era como tu" (Salmo 50:21). Se não nos alegramos "...em memória da sua santidade" (Salmo 97:12), se não nos alegramos por saber que num dia que logo vem, Deus fará uma demonstração suma¬mente gloriosa da Sua ira, tomando vingança em todos os que agora se opõem a Ele, é prova positiva de que os nossos corações não estão sujeitos a Ele, que ainda permanecemos em nossos pe¬cados, rumo às chamas eternas. Jubilai, ó nações (gentios), com o seu povo, porque vingará o sangue dos seus servos, e sobre os seus adversários fará tornar a vingança..." (Deuteronômio 32:43). E ainda lemos: "E, depois destas coisas, ouvi no céu como "que uma grande voz de uma grande multidão, que dizia: Aleluia; Salvação, e glória, e honra, e poder pertencem ao Senhor nosso Deus; Porque verda¬deiros e justos são os seus juízos, pois julgou a grande prostituta, que havia corrompido a terra com a sua prostituição, e das mãos dela vingou o sangue dos seus servos. E outra vez disseram: Aleluia..." (Apocalipse 19:1 -3). Grande será o regozijo dos san¬tos naquele dia em que o Senhor irá vindicar a Sua majestade, exercer o Seu domínio formidável, magnificar a Sua justiça, e derribar os orgulhosos rebeldes que ousaram desafiá-lO.
"Se tu, Senhor, observares (imputares) as iniqüidades, Senhor, quem subsistirá?" (Salmo 130:3). Cada um de nós pode muito bem fazer esta pergunta, pois está escrito que “... os ím¬pios não subsistirão no juízo..." (Salmo 1:5). Quão dolorosa-mente a alma de Cristo padeceu ao pensar na ação de Deus observando as iniqüidades do Seu povo quando estas pesaram sobre:
Ele! Ele "... começou a ter pavor, e a angustiar-se" (Marcos 14:33). Sua agonia terrível, Seu suor de sangue, Seu grande cla-mor e súplicas (Hebreus 5:7), Suas reiteradas orações, "Se é pos¬sível, passe de mim este cálice", Seu último e tremendo brado, "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" — tudo ma¬nifesta que pavorosas apreensões Ele teve quanto ao que era para Deus "observar iniqüidades1'. Bem que nós, pobres pecadores, podemos clamar: Senhor, quem subsistirá, se o próprio Filho de Deus tremeu tanto sob o peso da Tua ira? Se tu, meu leitor, ainda não correste em busca do refúgio em Cristo, o único Sal¬vador, "... que farás na enchente do Jordão?”(Jeremias 12:5). "Quando considero como a bondade de Deus sofre abusos da maior parte da humanidade, não posso senão apoiar quem disse; "O maior milagre do mundo é a paciência e generosidade de Deus para com o mundo ingrato. Se um príncipe tem inimigos metidos numa de suas cidades, não lhes envia provisões, mas mantém sitiado o local e faz o que pode para vencê-los pela fome. Mas o grande Deus, que poderia levar todos os Seus inimigos à destruição num piscar de olhos, tolera-os e se empenha diaria¬mente para sustentá-los. Aquele que faz o bem aos maus e in¬gratos, pode muito bem ordenar-nos que bendigamos os que nos maldizem. Não penseis, porém, que escapareis assim, pecadores; o moinho de Deus mói devagar, mas mói fino; quanto mais ad¬mirável é agora a Sua paciência e generosidade, mais terrível e insuportável será a fúria resultante dos abusos feitos à Sua bon¬dade. Nada é mais brando do que o mar; contudo, quando se agita e forma temporal, nada se enfurece mais. Nada é tão suave como a paciência e bondade de Deus, e nada tão terrível como a Sua ira quando se inflama" (William Gurnall, 1660). "Fuja", pois, meu leitor, fuja para Cristo; fuja "...da ira futura" (Ma¬teus 3:7), antes que seja tarde demais. Nós lhe rogamos com todo o empenho, não pense que esta mensagem tem em vista outra pessoa. É para você. Não fique satisfeito em pensar que você já fugiu para Cristo. Obtenha certeza disso! Rogue ao Senhor que sonde o teu coração e te revele o que tu és. Os profetas do Velho Testamento muitas vezes diziam aos seus ouvintes que as suas vidas ímpias provocavam o Santo de Israel, e que estavam entesourando para si mesmos irá para o dia da ira. E as condições do mundo hoje não são melhores do que eram então! Nada se presta mais para despertar os indiferentes e fa¬zer com que os crentes carnais sondem os seus corações, do que alongar-nos sobre o fato de que Deus “... se ira todos os dias" com os ímpios (Salmo 7:11). O precursor de Cristo exortava os seus ouvintes a fugirem “... da ira futura" (Mateus 3:7). O Sal¬vador ordenava a quantos O ouviam: "Temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno, sim, vos digo, a esse temei" (Lucas 12:5). O apóstolo Paulo dizia: "... sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens..." (2 Coríntios 5: li). A fidelidade exige que falemos tão claramente do inferno como do céu.

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